Meus cinco “road movies” preferidos

Partindo do princípio de que a inspiração vem antes da execução, de falta de referências nessa vida eu não morro. E se o assunto é cinema, há filmes que realmente nos fazem produzir mais ideias e nos ajuda a traçar projetos. Como eu sei que não sou a única com essa linha de pensamento, reuni alguns road movies para  fazer vocês viajarem (oh, trocadilho mais tacanho!).

Cena do filme Central do Brasil, de Walter Salles Jr

Cena do filme Central do Brasil de Walter Salles

Mas o que é um road movie?

Pela tradução é um “filme de estrada”. Essas tramas buscam explorar os episódios que acontecem no caminho e vão contando a história . Enquanto  Para Roma com Amor, de Woody Allen, a capital italiana é cenário para o filme, os meus cinco listados abaixo descrevem a trajetória percorrida  na viagem e como isso vai dando sentido às personagens e paisagens retratadas.

1. O Mágico de Oz, de Richard Thorpe, George Cukor e Victor Fleming (1939)

Se não for pra pôr fantasia no negócio então nem adianta sonhar. Porque, antes de tudo, todo viajante é um sonhador. E gosto tanto deste filme que virou inspiração para o nome do blog.

Na minha opinião, Dorothy de uma forma representa tudo que somos em nossas jornadas mundo afora. Cansados da nossas cidades, sempre estamos “fugindo”, buscando lugares melhores “além do arco-íris”, encontrando pesssoas legais e interessantes ao longo da estrada e quando a gente vê que cumprimos nossa missão, voltamos pra casa.

O filme jajá beira as oito décadas, mas sempre vale assisti-lo em qualquer época.

2. Central do Brasil, de Walter Salles (1998)

Tá na lista por dois motivos. Por próprio mérito, mas também por uma questão política, se assim posso dizer.

Uma vez indiquei este filme pra uma garota de uns 13 anos por ela comentar que não gostava de filme nacional porque a maioria era “pornográfico”. Alô, 2015 e tem gente que ainda acha que nosso cinema se sustenta com pornochanchada?!

O que me chama atenção no longa é o contraste entre roteiro e paisagem. Enquanto a relação entre a mulher – Dora, vivida por Fernanda Montenegro – e um garoto que ela leva para encontrar o pai no interior de Pernambuco é distante no início da jornada, vai tomando doses de delicadeza e carinho, em contrapartida a um cenário cada vez mais árido e sofrido à medida que vão chegando ao destino final.

3. Sem Destino, de Dennis Hopper (1969)

O filme já vale pela trilha sonora, que inclui a clássica Born to be Wild, praticamente um hino dos motoqueiros e de quem curte pegar a estrada. A história pode servir inclusive de guia para quem deseja desbravar as rotas das estradas norte-americanas. Quer entender a contracultura? Nada como um filme da época!

Destaque para a incrível e breve (olha o spoiler, Mari) atuação de Jack Nicholson.

4. Diários de Motocicleta, de Walter Salles (2004)

Mais um road movie do premiado Walter Salles. Baseado nos diários de Ernesto Che Guevarra, conta a sua viagem pela América do Sul junto ao amigo Alberto Granada montados em uma moto. Como a história se passa nos anos 50, é impressionante ver lugares atualmente tomados pelo turismo, como Machu Picchu e a floresta Amazônica, praticamente só povoados com nativos.

E antes de me tacarem a alcunha de “petralha” e me mandarem ir para Cuba por falar deste filme genial sobre parte da vida do guerrilheiro comunista, a viagem do jovem Ernesto aconteceu bem antes de tudo isso e o roteiro nem chegou a incluir a ilha de Fidel. Ah, sem contar que é uma baita aula sobre a civilização do nosso continente, que muito brasileiro insiste em não considerar.

5. Uma Vida Iluminada, de Liev Schreiber (2005)

Apesar de ser rodado boa parte em Praga, o filme do retrata uma Ucrânia tanto folclórica e distante  – como a maioria conhece – como também mágica e lúdica. Uma fotografia esplêndida para contar a viagem do judeu americano Jonathan Safran Foe ao país de seu avô, não apenas para descobrir sobre a fuga de seus antepassados do holocausto, mas também para conhecer a si mesmo.

Ah, e vale também menção honrosa para Pequena Miss Sunshine, Thelma e Louise, Da Natureza Selvagem e o nacional Cinema, Aspirinas e Urubus.

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Mudanças na estrada

Nessa longa estrada da vida, [RIP, José Rico…] a gente vai vivendo as metamorfoses. Seja desbravando o mundo ou dentro de nosso quarto, elas são necessárias e revigorantes para tocarmos projetos, reciclarmos ideias e impulsionarmos atitudes.

E chegou a hora de “repaginarmos a página”. Esta semana o blog de viagens mais “nenhuma” da internet vai mudar de nome. Para quem reparou ele já tá no topo e logo menos atenderá sob o domínio de sigaaestrada.com. E depois vai vir layout novo, embelezamentos, plumas, paetês e vem também uma blogueira doida para contar as suas peripécias rodando por aí!

E que estrada é essa, menina? Muitos eu creio que já sacaram, mas darei uma colher de chá. Lá vai:

Isso mesmo! Um dos meus filmes prediletos e dou um abraço para quem acha o mais on the road de todos! Outros aspectos interessantes eu encontrei  neste blog, que traça um panorama a respeito dos simbolismos existentes no longa.

Foto: reprodução

Foto: reprodução

Ah, e não se esqueçam que – mesmo não havendo lugar como o nosso lar – há outros tão legais quanto. Por isso, siga a estrada, Dorothy!