Ódio na estrada

Abre-se a página e mais uma notícia. A cidade onde morei minha vida inteira figurando como uma das mais violentas do mundo. Surpreendentemente é um dos destinos turísticos mais procurados do país. Mas o mais curioso em Maceió é que, a partir do momento que você questiona esta situação com os locais, é comum ouvir a frase “não se preocupe porque aqui não existe isso de bala perdida. Toda bala aqui tem nome, telefone e endereço”. A anedota está longe de ser falsa, mas quem merece “encontrar com um tiro”?

O trágico episódio ocorrido esta semana na Tunísia, onde mais uma vez radicais do Estado Islâmico deixaram vítimas, além de chocar nos leva àstristes reflexões sobre “se fosse eu visitando o museu do Bardo?”, “o que leva uma pessoa a atirar em outra em nome de um deus?”, “vale a pena a vida de viajante em um mundo tão vulnerável ao ódio e ao fantatismo?”

Não preciso dizer que a  Tunísia é algo em meus planos. O país guarda um acervo histórico precioso, é estruturado turisticamente e muito admirado pela comunidade de viajantes ocidentais. Mas o momento de deslumbramento foi silenciado com a indigesta notícia sobre o atentado.

Estou com a cabeça dando voltas. Qual que é essa de “cair no mundo” para se sentir parte dele? A indignação é tamanha e justificável, mas mais ainda é necessário entender o porquê desses homens e mulheres – quando não crianças também – por um pensamento extremista esquecem de saborear a beleza da vida. Daí a gente compreende que o mundo é quem faz nosso mosaico.

Não devemos nos deixar abalar. Vamos nos apegamos à ideia de que no mundo há mais pessoas boas que ruins – e isso é a mais pura verdade! E assim seguimos, deixando as nossas pegadas, mostrando que basta um sorriso de ternura para deixar o dia de quem cruza  nosso caminho mais feliz.  E digo qualquer pessoa, mesmo sendo um homem com barba e turbante, afinal de contas – na maioria das vezes – é apenas um homem com barba e turbante.

Infelizmente o ódio está à solta e pelo jeito resolveu viajar de mochila. Mas que isso não nos desestabilize e nunca deixemos de carregar a nossa mensagem de paz nas mais diferentes travessias percorridas mundo afora.

Fica meu lamento em memória das 21 pessoas que tiveram suas vidas ceifadas.

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