Londres roqueira – e todo pacote junto

Pode parecer exagero, mas vejo a guitarra como uma espécie de roda das invenções do século passado. Não pelo instrumento em si, mas o que ela desencadeou na história da música.
Seja com dois ou mais acordes, o rock não só significou o surgimento de um ritmo, mas um símbolo de quebra de tabus, preconceitos e também de fronteiras (o que interessa principalmente a quem me lê).
Como já escrito em outro post, a Inglaterra foi a caixa de marcha do estilo musical, e para alegrar os roqueiros viajantes hoje, nada melhor falar na capital inglesa, que nos deseja um Feliz Dia do Rock em grande estilo por meio de suas atrações.
Porque não basta fazer um passeio pela cidade, ainda vem no pacote muita música boa, combo do deleite para o barulho dos bons.

Ah, vida longa ao rock e às grandes viagens!

Abbey Road (Studios)

A zebra crossing que dispensa muitas apresentações. Em um único destino você mata a rua famosa por ser o cenário para a capa do disco de mesmo nome dos Beatles, onde também está localizado o estúdio em que ele foi gravado.

Abbey Road Studios

A frente do estúdio também tem sua relevância na hora da visita. Além das fotos, aproveite para deixar sua marca e alguma mensagem para os Beatles. Deu vontade de escrever “I prefer Stones”, daí achei que seria muita sacanagem…

abbey road cross

Abbey Road já apareceu em outros posts aqui, mas é o programa indispensável no roteiro de qualquer amante da boa música!

The Hawley Arms

The hawley arms

Não sei se o distrito de Camden Town escolheu abrigar o Hawley Arms ou se o pub resolveu se estabelecer por lá, tamanha sintonia entre eles.
A atmosfera rock n’roll vale a visita unindo-se ao jeito inglês de terminar o dia sentado em uma cadeira, apreciando uma boa pint .
E quem está ligando o local à pessoa, era lá que Amy Winehouse dizia não à Rehab graças aos muitos gorós que tomava por lá – era moradora de Camden e fiel frequentadora.

Aviso: pela decoração – com fotos de grandões da música pregadas em suas paredes – evite bancar o turistão e chegar logo tirando foto como se estivesse num museu, até porque donos e funcionários podem se sentir incomodados (inclusive aconteceu comigo). Entre, se acomode e brinde ao rock!

Battersea Station

batersea station

We Will Rock You

Fonte: Daily Mail

Foto: Daily Mail

Tá certo que musical é o tipo de programa que divide opiniões em um
roteiro de viagens. Mesmo para os que torcem o nariz, mas são fãs do Queen,
não custa nada (quer dizer, custa algumas libras, é óbvio) ir até o
Dominion Theatre e assistir ao espetáculo We Will Rock You, baseado
no repertório da banda.
Ah, e musicais em Londres são tipo os da Broadway? Só pra constar,
os teatros da rua nova-iorquina só existem porque se inspiraram nos
britânicos! Quer mais motivos?

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Instituto e Oficina dos Brennand – como chegar e não se confundir

– Moço,e as esculturas de Francisco Brennand onde estão?
– As esculturas de cerâmica não ficam aqui no Instituto não, moça. Tem o museu e tem a oficina. Muita gente se confunde porque eles são irmãos ou primos, parece. De carro daqui pra lá leva de 10 a 15 minutos…
– Ah, tá…

E a tarde reservada para um só lugar acabou alterando nossa rota. Estava no Instituto Ricardo Brennand, complexo artístico de Recife, mas queria também conhecer parte da obra do artista plástico e ceramista Francisco Brennand. Só pra confirmar a dúvida do diálogo acima, os dois são primos em primeiro grau e, além dos mesmos sobrenomes,  seus negócios com mesma finalidade podem causar uma confusão tamanho família.

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A oficina do ceramista Francisco Brennand com suas obras e formas que impressionam

Localizados no bairro da Várzea, no Recife, área correspondente à Cidade Universitária, ou seja, lado praticamente oposto da zona hoteleira da capital pernambucana. Apesar de já fazer parte do roteiro turístico da cidade e o instituto figurar entre os 25 melhores museus do mundo em recente pesquisa, é preciso estar munido de algumas dicas.

A primeira delas é dê preferência ao carro. Sei que é uma triste recomendação para uma das cidades com o pior trânsito do país, mas no quesito mobilidade esses dois lugares deixam a desejar. Se for seguir para o Ricardo Brennand, o ônibus deixa até um certo ponto. Depois só de carro, táxi ou um translado disponibilizado pelo instituto, que no dia que eu visitei não o vi. Por isso, o automóvel vai te facilitar, seja ele próprio, alugado, táxi ou van fretada. Ah, e não esqueça de um GPS ou aplicativo de celular. Não há – pelo menos não vi – sinalização na BR indicando a via de acesso ao instituto.

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No Instituto Ricardo Brennand podemos encontrar diversas réplicas de obras famosas, como A Dama e O Cavalo, de Botero

O acesso à Oficina Francisco Brennand também possui praticamente como única opção o carro. Após a última parada de ônibus, o visitante tem acesso à entrada do engenho onde fica a oficina. Da entrada até lá são cerca de 3 km de uma linda trilha cercada por mata atlântica que vale até a caminhada, porém não muito segura. Então melhor ir de carro ou combinar a corrida de ida e volta com o taxista, porque – por ser uma área isolada – vai ficar difícil encontrar sinal de internet para solicitar serviço de táxi por aplicativo. Diferente do instituto do primo, há algumas placas indicando a sua localização  nas mediações da avenida Caxangá, principal via de acesso ao celeiro de obras do artista.

Se vale a pena o passeio? Muito! Seja para conhecer a contribuição artística dos dois primos para a cultura pernambucana e brasileira, ou para fugir um pouco do circuito “praia-gastronomia-feirinha de artesanato”dos típicos roteiros das cidades nordestinas. Mesmo de férias ou de folga, o visitante pode ter uma aula de arte em dose dupla e levar muito conhecimento na mala!

Apesar do passeio ter essas complicações sobre como chegar, não deixe de fora do roteiro pelo Recife. Mais para frente faço post falando da minha visita a cada um!

Meus cinco “road movies” preferidos

Partindo do princípio de que a inspiração vem antes da execução, de falta de referências nessa vida eu não morro. E se o assunto é cinema, há filmes que realmente nos fazem produzir mais ideias e nos ajuda a traçar projetos. Como eu sei que não sou a única com essa linha de pensamento, reuni alguns road movies para  fazer vocês viajarem (oh, trocadilho mais tacanho!).

Cena do filme Central do Brasil, de Walter Salles Jr

Cena do filme Central do Brasil de Walter Salles

Mas o que é um road movie?

Pela tradução é um “filme de estrada”. Essas tramas buscam explorar os episódios que acontecem no caminho e vão contando a história . Enquanto  Para Roma com Amor, de Woody Allen, a capital italiana é cenário para o filme, os meus cinco listados abaixo descrevem a trajetória percorrida  na viagem e como isso vai dando sentido às personagens e paisagens retratadas.

1. O Mágico de Oz, de Richard Thorpe, George Cukor e Victor Fleming (1939)

Se não for pra pôr fantasia no negócio então nem adianta sonhar. Porque, antes de tudo, todo viajante é um sonhador. E gosto tanto deste filme que virou inspiração para o nome do blog.

Na minha opinião, Dorothy de uma forma representa tudo que somos em nossas jornadas mundo afora. Cansados da nossas cidades, sempre estamos “fugindo”, buscando lugares melhores “além do arco-íris”, encontrando pesssoas legais e interessantes ao longo da estrada e quando a gente vê que cumprimos nossa missão, voltamos pra casa.

O filme jajá beira as oito décadas, mas sempre vale assisti-lo em qualquer época.

2. Central do Brasil, de Walter Salles (1998)

Tá na lista por dois motivos. Por próprio mérito, mas também por uma questão política, se assim posso dizer.

Uma vez indiquei este filme pra uma garota de uns 13 anos por ela comentar que não gostava de filme nacional porque a maioria era “pornográfico”. Alô, 2015 e tem gente que ainda acha que nosso cinema se sustenta com pornochanchada?!

O que me chama atenção no longa é o contraste entre roteiro e paisagem. Enquanto a relação entre a mulher – Dora, vivida por Fernanda Montenegro – e um garoto que ela leva para encontrar o pai no interior de Pernambuco é distante no início da jornada, vai tomando doses de delicadeza e carinho, em contrapartida a um cenário cada vez mais árido e sofrido à medida que vão chegando ao destino final.

3. Sem Destino, de Dennis Hopper (1969)

O filme já vale pela trilha sonora, que inclui a clássica Born to be Wild, praticamente um hino dos motoqueiros e de quem curte pegar a estrada. A história pode servir inclusive de guia para quem deseja desbravar as rotas das estradas norte-americanas. Quer entender a contracultura? Nada como um filme da época!

Destaque para a incrível e breve (olha o spoiler, Mari) atuação de Jack Nicholson.

4. Diários de Motocicleta, de Walter Salles (2004)

Mais um road movie do premiado Walter Salles. Baseado nos diários de Ernesto Che Guevarra, conta a sua viagem pela América do Sul junto ao amigo Alberto Granada montados em uma moto. Como a história se passa nos anos 50, é impressionante ver lugares atualmente tomados pelo turismo, como Machu Picchu e a floresta Amazônica, praticamente só povoados com nativos.

E antes de me tacarem a alcunha de “petralha” e me mandarem ir para Cuba por falar deste filme genial sobre parte da vida do guerrilheiro comunista, a viagem do jovem Ernesto aconteceu bem antes de tudo isso e o roteiro nem chegou a incluir a ilha de Fidel. Ah, sem contar que é uma baita aula sobre a civilização do nosso continente, que muito brasileiro insiste em não considerar.

5. Uma Vida Iluminada, de Liev Schreiber (2005)

Apesar de ser rodado boa parte em Praga, o filme do retrata uma Ucrânia tanto folclórica e distante  – como a maioria conhece – como também mágica e lúdica. Uma fotografia esplêndida para contar a viagem do judeu americano Jonathan Safran Foe ao país de seu avô, não apenas para descobrir sobre a fuga de seus antepassados do holocausto, mas também para conhecer a si mesmo.

Ah, e vale também menção honrosa para Pequena Miss Sunshine, Thelma e Louise, Da Natureza Selvagem e o nacional Cinema, Aspirinas e Urubus.